quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

COCO CHANEL

Em 10 de janeiro de 1971, aos 87 anos, morria um dos maiores nomes da moda e da história: Coco Chanel! A seguir um breve texto sobre essa mulher que fez mais parte da nossa história do que vocês podem imaginar!

Texto retirado do BLOG LITERATORTURA

Bem, nunca falei de Chanel por aqui. A mulher que, provavelmente, é o Shakespeare da moda. Ou, dentro do contexto modista, nas devidas proporções, seja “maior” que o bardo. Não por glória ou genialidade, mas por terem poucos que cheguem perto dela. E não falo necessariamente de trabalho, talento e revolução. Falo de reconhecimento. Falar em Moda é falar em Chanel. Difícil haver uma pessoa na terra [que tenha o mínimo conhecimento da arte da vestimenta] que nunca tenha ouvido falar na francesa. Mas, bem, nunca falei dela por medo de cair na obviedade. Eu esperava um momento especial, a hora certa. Então, vou trazer um pouco da vida e história profissional, e algumas curiosidades [alguém falou “Nazismo”?] desse grande símbolo de elegância, que ate hoje é reconhecida por seu trabalho.
Coco Chanel, ou melhor, Gabrielle Bonheur Chanel nasceu em Saumur [uma pequena vila da França] no ano de 1883. Vinda de família pobre, de mãe (Jeanne Devolle) doméstica e pai (Albert Chanel) feirante, Chanel foi mandada junto com suas irmãs para um internato devido à morte precoce de sua mãe:
Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher. (Coco Chanel)
Conhecida por ser uma mulher independente, de personalidade forte, no final do século XIX, tirou da vestimenta feminina os espartilhos apertadérrimos, babados e muito tecidos. Adotando, por sua vez, o pretinho básico no guarda roupa feminino [falaremos disso mais detalhado]
‘’Sua fama é inegável, embora lhe atribuam autoria do que foi apenas popularizado por ela: abolição do corset para a mulher (Paul Poiret e Madeleine Vionnet fizeram antes), calça feminina (Poiret fez antes) e perfume assinado por um criador (Poiret de novo)’’ (retirado de Pelo mundo da moda: Criadores, grifes e modelos)
Não é à toa que Poiret acusava a estilista de ocasionar o ‘’luxo da miséria’’, que a Historia, de maneira justa, corrigiu como o ‘’luxo da simplicidade’’ [porque ela fazia coisas práticas, simples etc]. Mesmo sendo notável que essas façanhas foram de outros, Chanel não deixou de ser reconhecida por tirar os corset e trazer as calças femininas para as mulheres. Acredito que aqui ela teve visão [ou sorte, como queiram alguns] para trazer o certo na hora certa. Diferente de Poiret, pra infelicidade dele.
 
Seu carisma, talento, [e claro, ambição] conquistaram o coração de homens poderosos, e o armário de mulheres igualmente notáveis. Destacou-se por fazer o diferente, o original. Impactando não só a maneira das mulheres se vestirem, mas também como eram tratadas e, principalmente, percebidas no mundo profissional. Trouxe a imagem da figura feminina do século 20: independente, bem-sucedida, com personalidade e estilo. Vale a pena ressaltar que Chanel não era feminista [ao menos não no nível que muitos acham que ela foi]. E, no livro já citado, [Pelo mundo na Moda: criadoras, grifes e modelos], a autora Lilian Pecci afirma que pra estilista, a mulher só devia ir às compras com seu homem, para agradá-lo.
Sobre sua vida pessoal: Antes da Guerra, Chanel se apaixonou por Boy Capel, que lhe deu dinheiro para abrir uma chapelaria em Deauville, na costa da Normandia. O empreendimento foi um sucesso – devido ao seu gosto original, retirando ornamentos da belle époque e criando chapéus mais simples, sem perder a elegância. Após a morte de Capel, a estilista se envolveu com grão-duque Dimitri, da Rússia. Trouxe a beleza do vestuário russo às suas criações, inspirando-se nos bordados luxuoso, peles e e fazendo uso de muitooos colares de pérolas – outro marca da francesa.
 A estilista se inspirava na moda masculina, nos trajes esportivos e de trabalho. Começou a simplificar a silhueta, reduziu os enfeites, usando tecidos mais leves, deixando os vestidos soltos ao corpo para o próprio conforto e prazer da mulher. Confeccionados de tweed – tecido barato considerado masculino e da classe trabalhadora.
Em 1921, lança o perfume Chanel Nº5 - aquele que Marilyn Monroe usava antes de dormir. Foi o primeiro perfume com o nome de um estilista, e mais de um século depois, ainda é sucesso em vendas.
Depois do Russo, ela conheceu o duque de Westminster [sim, Chanel teve muitos homens e amantes haha], o homem mais rico da Inglaterra.Ficam 6 anos juntos. O duque presenteou Chanel com uma oficina para desenvolver suas próprias padronagens de suas roupas. – sempre ganhando ótimos presentes.
Em 1926, cria o ‘’pretinho básico’’, um vestido simples, chique e coringa para o guarda roupa de toda mulher. A peça foi tão emblemática que foi comparada com o primeiro modelo de carro fabricado em serie: o Ford preto. “O preto é tudo, o branco também. São de uma beleza absoluta. Vista uma mulher de preto ou branco em uma festa. Só ela vai aparecer’’, declarava.
Já em 1929, cria a primeira bolsa chique de alça, feita de corrente dourada [outro símbolo da estilista]. A famosa bolsa Chanel “2,55”, foi aperfeiçoada em 1955, introduziu ao couro losangos matelassê. Além da bolsa, atribuiu seu toque em vários itens que se tornaram icônico:decote canoa, slingbacks, sapatos bicolores, suéteres, pérolas (dito anteriormente), chapéu de palha duro, conjuntinho azul marinho, roupas de banho, entre outros.
 
(Alguns ícones de Chanel; Chapéu, conjuntinho de tweed, perfume N 5, bolsa de couro com corrente e pérolas)
Então, veio a Guerra, o fechamento da Maison foi inevitável, pois Coco se tornou amante de um oficial alemão, sendo exilada na Suíça. Apenas em 1954, após a sangrenta guerra, Chanel reabriu sua loja na rue Cambon (onde permanece até hoje em Paris). Após dois anos de sua reabertura, lança o chamado tailleur Chanel [parecido com um cardigã sem gola, de tweed (claro)], usado por Jackie Kennedy, no dia do assassinato de seu marido. Alguns anos se passam, e Coco Chanel morre em 1971 aos 87. Nessa idade, ainda trabalhava ativamente, desenhando uma nova coleção.
Há um lado pouco discutido de Chanel, que já citei, mas quero focar aqui: sua vertente nazista. Segundo o livro ‘’Dormindo com o Inimigo – A Guerra Secreta de Coco Chanel’’, de Hal Vaughan, ela teria sido uma espiã nazi. A relação com o partido teria começado em 1940, quando o seu sobrinho André Palasse foi capturado e mantido como prisioneiro em um campo de concentração. Para libertá-lo, Chanel cooperou com a Abwehr, organização da inteligência alemã. Nesse período, ela manteve uma relação com o oficial alemão Dincklage. Com isso, a Abwehr inscreveu Gabrielle Chanel em seus registros de Berlim como Agente F-7124 com o codinome Westminster. O livro dá como certa e mais do que comprovada essa participação da estilista.
(Chanel e o amante alemão Hans Gunther von Dincklage)
Também existem algumas frases que teriam relação com o Nazismo, por exemplo:
“Os franceses tiveram o que mereciam” – Coco Chanel. Comentário feito durante um dos seus famosos jantares no Hotel Ritz
“Nem todos os alemães eram bandidos”- Coco Chanel. Durante uma entrevista para a revista Life, ela tentou justificar o seu envolvimento com o Nazismo
Há quem diga que Chanel foi simplesmente uma aproveitadora. Que conseguiu tudo nas costas dos outros. Claro, não podemos negar que seus homens e amantes ricos deram uma ajudinha para a fabricação de suas idéias, como o presente que ganhou do duque de Westminster. Mas, foi o talento e a forte personalidade revolucionária que a fez ser quem foi. Transformou radicalmente o estilo de vestuário das mulheres da época, trazendo conforto e prazer às mesmas. “Independente” se cooperou com o partido nazi, ou não, é preciso reconhecer a importância da estilistaCoco Chanel. Admirar a pessoa, é absolutamente opcional [sim, dá pra "separar"]. Não reconhece-la em seus méritos, é um tanto precipitado e ingênuo. E como já disse, ela pode não ser mais talentosa, genial estilista de todos os tempos. No entanto, certamente, em reconhecimento e fama pro público, ninguém se equipara a ela [e por isso a comparação inicial com Shakespeare :].

Beijos Chanel!

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